quarta-feira, 7 de abril de 2010

Abrindo o livro

Um grande amigo da família, pai do garoto que me presenteou com meu primeiro buquê de rosas, me pediu para falar um pouquinho sobre o começo da minha história com o Alexandre.
A história foi como todas as outras, real. Mas vou contá-la com uma pitada de romantismo, que não deixa de ser uma característica bem particular.
Foi há 5 anos. Eu trabalhava em Goiânia e tinha acabado de dar uma festa pra comemorar meu aniversário de 24 anos, era com tema infantil: Hello Kit, balões rosa e música da Xuxa. Chamei toda a turma. Estava celebrando uma fase de conquistas, e os20 quilos que emagreci.
No dia seguinte, uma segunda-feira, o assunto no trabalho era a festa. E quando me sentei, logo na minha frente, dividindo a mesa, estava um menino novo, nariz empinado, olhar um pouco superior. O pensamento veio rápido na minha cabeça, mas foi embora com a mesma velocidade "Garoto metido".
Já ele descreve esse momento de outra forma. E quando a mãe perguntou como foi a primeira manhã no novo serviço, ele disse: -Tem uma menina, linda, com um sorriso enorme, deve ter chegado do exterior, muito chique, usava uma echarpe toda colorida, neste calor de goiânia.
Deve enfim ter concluido, mas dessa vez em voz baixa: Não é pro meu bico.
Ele não era de muitas palavras, trabalhava concentrado, mas aos poucos foi percebendo meus gostos e colocava pra tocar no seu computador músicas infantis, sertanejo, MPB, logo ele um verdadeiro roqueiro.
Um dia me trouxe um sonho de valsa.
No outro me mostrou um poema do JG de Araújo Jorge (o mesmo que colocou no nosso convite de casamento).
E em um terceiro dia, um colega disse, tira uma foto com ela. E ele ficou de pé, atrás de mim, e foi nossa primeira foto.
Passou 1 semana e ele via que eu gostava de um garoto, que não me dava a menor bola, sentou do meu lado e falou: - A gente tem que gostar de quem gosta da gente.
Até hoje ele diz que não acredita que caí nesta cantada. Mas eu sei que essas palavras foram muito valiosas. Acredito na força das palavras e que elas podem mudar tudo. Se para o bem, ainda melhor.
Foi então que surgiu uma oportunidade. Viola de Ouro, com shows do Cristian e Ralf, Mato Grosso e Matias, entre outros. Os ingressos estavam esgotados, mas um colega dele anunciou no messenger que estava vendendo dois. Foi então que ele falou pra todos da sala. Alguém quer ir no show? Tenho 2 ingressos. Como ele sabia que ninguém lá suportava música sertaneja, só eu poderia dizer sim. E de prontidão levantei a mão achando que ele havia ganho os ingressos, não que pagaria 80 reais por cada um.
Fomos e os shows foram muito animados. Muita gente me chamava pra dançar, mas eu não ia, estava acompanhada. Foi então que às 3h da manhã ele tomou coragem e me chamou pra dançar um forró com ele. A noite estava quase acabando, mas quando ele viu que fui com um salto baixíssimo, quase inexistente, pensou que fosse pra ficar da altura dele, respirou fundo e me beijou. Neste show ainda teve tempo pra chorar, ele sempre com o pé atrás, me disse que não queria namorar. Foi assim que conheci a música Tentei te esquecer, não deu.
Na manhã seguinte, eu procurei ficar na minha. Já que ele tinha deixado claro as intenções. Mas foi assim que fomos nos aproximando. Em uma conversa 3 dias depois ele me disse que eu não conhecia ele, não sabia de que família veio, se era um viciado, se era um vagabundo, e que eu não deveria confiar tanto nas pessoas assim. Mas aí eu disse: é por isso que quero namorar com você pra descobrir suas qualidades que com certeza serão maiores que os defeitos.
Ele não tinha mais argumento e desde então deixou cair o escudo e me estendeu as mãos, para tudo.
Foi tudo muito rápido. Conheci sua família linda, ele conheceu a minha. E nos primeiros encontros já falava em ajuntar dinheiro para comprar geladeira e fogão, devagarinho ir olhando um lugar pra gente. E pros amigos dizia: - Só tenho duas certezas na vida. Uma é a que todos tem, a morte. A outra é que vou casar com essa mulher.
Fez um blog pra gente com milhões de poemas. Tirou mais de 3 mil fotos. E fomos crescendo no amor. Não era um mar de rosas. Eu sempre queria voltar mais cedo pra ficar com a família, enquanto ele queria minha compania onde quer que fosse.Eu aprendi que é quase impossivel se dividir em dois. E muitas vezes pensei em desistir, não podia acreditar que um dia ficaríamos em paz, menos passionais, mais fortes.
O tempo foi passando, cada dia diferente do outro, um aprendizado único.
Quando fazer especialização em São Paulo como Redatora Publicitária e tivemos que ficar longes um do outro por 1 ano e meio. Ele foi o primeiro, junto com meu pai, a me apoiar neste crescimento. Mas vira e mexe pegava um ônibus, 16 horas de estrada, e me fazia uma surpresa aparecendo bem na porta do apartamento onde eu e meu irmão morávamos.
Depois continuei o curso, desta vez eu iria para Amsterdam - Holanda. Mais uma vez com todo o apoio. Foi quando na véspera de pegar o avião fui surpreendida com o pedido de noivado. Reunimos a família em um jantar na casa dele. Até as avós participaram. Foi tudo muito bonito!
Aquilo não era a certeza que eu voltaria pra ele, mas era o sinal de que o amor dele iria comigo.
Depois de 3 meses, ele foi me ajudar com as mudanças, desta vez para Hamburgo - Alemanha. E ficou por 7 meses. Foi nossa primeira experiência em morar juntos. Foi aí que todo meu medo acabou. Eu sempre seria a filhinha do papai, mas poderia ser também a namoradinha do nego.
Ele cudou de mim a todo minuto. Não deixou que o frio de menos 13 graus quebrasse meus ossos. Não deixou com que eu sentisse saudades a ponto de não suportar. Me levava até a escola, e me acompanhava nas tarefas, pra eu conseguir me formar. Não deixou que eu sentisse fome. Muito pelo contrário: ele se tornou um grande chef de cozinha, deixando de lado o design gráfico, e trabalhando com o que mais gosta em restaurantes portugueses.
Chegou a fazer almoço para as colegas que fiz na especialização. Desde romenas, a libanesas, alemãs, americanas, e italianas.
Voltamos e consegui emprego em Ribeirão Preto. Faz 10 meses que ele suporta o calor e os barbeiros no trânsito da cidade por minha causa.
Os planos é nos mudarmos, assim que casarmos, para São Paulo. Trabalhar muito... e quem sabe daqui dois anos ir ter nossa primeira filha: a Júlia, em Curitiba.
Só digo uma coisa, um amor que começa conturbado, pode sim terminar bem. Aliás, continuar otimo. Eu sou prova disso. Todo mundo merece lutar pelo amor, esse é o maior significado da vida. Amor o próximo e fazê-lo crescer no amor.

Eu te amo meu nego, te amo com toda a calma e tranquilidade no coração que essa palavra pode carregar. Obrigada por cuidar de mim, por fazer parte da minha vida.

Um comentário:

  1. Não é por termos liberdade que podemos mudar tudo à nossa volta, mas dispomos da faculdade de dar sentido a tudo (o que é muito melhor), mesmo àquilo que não o tem! Nem sempre somos senhores do desenvolvimento da nossa vida, mas somos sempre senhores do sentido que lhe conferimos!!!!

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